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O Abismo que Cavitei em Mim

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    No momento em que escrevo, no dia 7 de março, em meu quarto, uma tristeza imensa me abate. É dilacerante o que sinto e doloroso para me expressar. Tudo o que eu desejava era correr para os braços de Cristo e nunca mais me soltar, jamais desejar estar longe de Sua presença. Enquanto escrevo, Cristo é adorado na paróquia. Gostaria de estar lá, mas o que me entristece não é isso. O que verdadeiramente me aflige é a possibilidade de não ir às missas de domingo. O motivo? Não suporto viver sem Jesus, meu Senhor. O que escrevo não se compara aos Salmos de Davi nem às palavras dos santos da Antiga Aliança. Nada do que digo pode igualar-se às palavras de Cristo, mesmo que O imite. Não tenho a capacidade nem a habilidade de usá-las como os santos Apóstolos o fizeram, pois sei que esses dons foram concedidos pelo Espírito Santo. Como poderia eu tê-los? Sou insignificante, não tenho nada de importante a ser dito. Como posso me comparar a eles, se sou invisível e não tenho a missão de...

É preciso te encontrar

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... Dentro de minhas lembranças, Todas feitas de curtas-metragens, Lá está quem amo tanto no presente, Quem amei pouco sendo criança. E ao vê-lo sentado, de mãos dadas, Calado, com tantos pensamentos, Sinto-o, como eu o sinto! A memória engana, dança, Rodopia e corre para te encontrar, Te abraçar, te amar e dizer tanto, Mas tanto, as tantas palavras guardadas. Como eu tenho saudade... Vovozinho, paizinho. Abro as portas, as janelas, E cadê o meu vovozinho? Oh, como choro, paizinho. Pinga a chuva, caem as lágrimas, E peço perdão, perdão, perdão... Por não te ouvir, por não te ver, E sentar para conversar. O lado do sofá vazio, A cama vazia, E o tempo vazio que não volta mais. Escrevi para ti, Para que lesses tantas das minhas cartas, E folheasses as minhas páginas de arte. Tornei-me poeta para que me visses, Mas de todas as poesias que escrevi, De todas as que queria que lesse, O vento levou! De ti, te amo tanto E tanto quero te encontrar... Na minha saudade, no meu coração. E como é tr...

Jo 15,5

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   Sim, este texto é escrito por aquele que vos fala e dirigido àqueles que têm o devido interesse em minhas palavras. Alguns podem questionar se os meus escritos realmente vêm de mim. Pois bem, afirmo: é um dom concedido por Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando escrevo sem a intenção de expressar a verdade que me habita, meus textos tornam-se vazios, destituídos do toque da minha alma, melhor dizendo, sem a inspiração do Espírito Santo. Porém, quando minhas palavras são agressivas e prejudiciais, confesso: sou eu mesmo, um pecador que se deixa levar por suas fraquezas. Pois longe de Cristo, o homem se corrompe, e “sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Se, contudo, meus textos são inspirados nos santos, explicitamente centrados em Cristo, e causam inquietação em vossa alma, levando-vos a reflexões profundas, talvez seja a graça de Deus agindo. Pois não desejo reconhecimento humano nem a popularidade entre muitos, mas apenas que Deus seja glorificado. Agradeço ao Senhor pe...

Diário de um católico: uma longa amizade

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    Acredito que Cristo me inspirou a escrever esta carta para todos que a estão lendo, especialmente para alguém que é muito especial para mim. Escrevo para que todos possam perceber os detalhes de um amor que nasceu de uma amizade. Nossa história é antiga e, na sociedade líquida em que vivemos, nunca imaginei que duraria tanto tempo. Pode ser considerada rara nos dias de hoje, e talvez um dia não haja mais história para contar. Por isso, escrevo para que este não seja um adeus e para que não surjam arrependimentos por não ter escrito a tempo. Aqui estou, no momento certo, no instante em que deveria estar escrevendo, para que haja lembranças e para que permaneçamos juntos, mesmo que apenas no coração um do outro. Que o amor dessa amizade nos acompanhe até o dia em que não estivermos mais em contato, seguindo rotas diferentes, como já acontece na vida de todos. Mas, se o amor tiver fim e a amizade for esquecida, é porque nunca existiu verdadeiro amor ou amizade entre nós, entr...

Carta aberta de um pequeno católico

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 Meus amados, Como Católico aprendi com São Francisco de Assis que devo ser humilde , levar a paz e o amor a todos os lugares onde estou presente. (“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” São Mateus 5:9 ) Recentemente, tomei conhecimento de que há irmãos e irmãs descontentes, com os corações inquietos e amargurados, falando a meu respeito, deferindo insultos e denegrindo a minha imagem.  Humildemente, perdoo a todos e peço perdão caso, de alguma forma, tenha prejudicado ou magoado seus corações. Mesmo que o perdão não seja aceito, peço a Cristo que toque os corações de cada um de vós, assim como o meu próprio coração. (“Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.” Colossenses 3:13 ) Conheço alguns de vocês, inclusive em maior proximidade, e desejo que saibam que os amo e sempre os amarei, independentemente do que digam ou façam. Continuarei acreditando no amor, pois e...

O retorno do filoteia

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Filoteia Tentei me criar como o poeta rapper Criolo, Dessa vez voltei como o próprio, mas do pó, Ano passado fui Brazza, agora sou imitador de São Paulo, O criador da Igreja, não da cidade, aquela que chove sangue, não há erro. Escrevo com espírito inspirado nos Santos Francisco, Agora é Filoteia de Sales, São Sales, não da boiada, Se escrevo é pelo Messias, não o Falso, aquele da faixa amarela, Mas o da Glória, o verdadeiro, que venceu e curou toda a ferida. Enquanto o Messias me fizer viver, escrevo para Ele, o Pai, Não para o falso herói, mas o verdadeiro, que sangrou pela humanidade, Não o deus da violência, mas o do perdão e da piedade, O que quero é rimar pro maior, pro céu, pro eterno libertar. Se não aguenta, foge, corre, humildade é sempre o caminho, Podre, debaixo da terra, da cruz, aqui me enterro no pé do Pai, Buscando sempre a verdade, longe da ilusão, Porque quem está em Cristo, sabe que a vitória vem da morte. H.

Ainda me lembro...

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    Ainda me lembro da pequenina batendo à minha porta. Nunca a chamei de pequenina, mas havia diversas formas carinhosas com que a tratava, e ainda me recordo de todas elas. Hoje, a chamo de pequenina no texto, porque é assim que a vejo em minha memória: uma rosa delicada que cresceu. Hoje ela é grandona, uma grande mulher que não precisa mais bater à minha porta, chamar por mim. O que desejo é que encontre outras portas em que possa bater e ser acolhida, como um dia eu a acolhi. Mas confesso que carrego dúvidas: acolhi com amor? Disse as palavras certas? Em muitas de nossas conversas, não sabia se estava preparado ou se ofereci o que ela realmente precisava ouvir. A pequenina era uma rosa forte, e nossas trocas de palavras eram como passeios entre flores. Não havia espinhos para me ferir, mas eu tinha cuidado com as pétalas. E, mesmo sendo persistente, uma muralha de esperança, com a força de mil mulheres, ela também precisava de cuidados. Precisamos ser atentos com as ...