a queda dos murmuradores
Nada lhe agrada: o mundo é sempre fútil,
a cultura, um monturo de misérias.
que jamais descansa do próprio protesto.
nada o satisfaz,
nenhum riso lhe penetra o silêncio.
Cada instante busca um bode expiatório:
o tempo, o destino, a culpa alheia.
Para ele, os outros são demônios vestidos de gente;
o líder, o partido, o fantasma político
são a raiz de todas as frustrações.
Nunca olha para dentro - onde a cura começa.
Pergunta: será o líder sindical a razão de suas dores,
ou é Cristo que não foi permitido entrar?
Nada que venha do céu passa por suas mãos;
recusa-se o remédio, acolhe-se a acusação.
Como explicar que se reza com os lábios e se cuspem as promessas?
Que se aclama um homem e se perdoa a mentira?
Que se defende a vida com intolerância,
ou se indica salvação negada a quem pensa diferente?
Há um cristianismo de porta aberta e silêncio,
e há um outro que bate o punho e vende raiva.
Não é santo o que só aponta o erro alheio;
a graça não se compra com insultos.
Quem vive de reclamação faz-se espetáculo
"sorriso falso, piada fácil, oração de pressa"
e depois volta a incendiar cantos com mentiras.
Esse amor ao próximo é sombra: não é amor.
Não é honra aclamar quem mente, maltrata, profere palavrões,
nem é virtude apoiar a morte ou a guerra.
Ser contra o aborto não legitima a tortura;
ser cristão não é fazer do ódio liturgia.
Pense: se a vida é tão sombria por causa de fantasmas,
talvez baste abrir uma porta onde, por anos, se trancou o peito.
A cura começa onde a reclamação acaba
no silêncio que escuta, na humildade que confessa.
h.
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